sábado, 7 de maio de 2011

Meia dose de Facuri.

Muita coisa andou mudando
há muito tempo e
certas coisas
continuam idênticas.

Eu lembro de um guri
há uns cinco anos
ou mais que
jogava bola todos
os dias na rua e ele
sempre machucava
os dedões dos
pés.

Uma música de guitarra
idiota, feita
na casa do amigo
que tinha uma cachorra
gigante.

Como era mesmo?
Mi, fá sustenido,
sol, lá, mi...
Algo assim.

O guri era quieto e
calado na escola, não
falava com muitos e
com os poucos que falava
pouco dizia.

Deve ter conhecido umas três ou
quatro pessoas
que ele diz até hoje
que valeu a pena
ter conservado
amizade.

Os amigos, o
cachorro com
nome de personagem de
desenho animado, o
rival, o
vizinho, os sonhos, as
conversas inocentes,
as conversas indecentes, as
disputas com o relógio, as
caminhadas a
lugar nenhum, a praia,
o medo, a
arrogância, os
cadernos queimados e
os tênis também;
A amiga do cabelo colo-
rido, a amiga do
cabelo ruivo, ah! A menina
dos cabelos ruivos...
Os amigos que ele
diz que não são amigos,
os amigos que sumiram,
os amigos que sumirão,
os amigos que aparecerão,
os amigos que apareceram;
Os jogos, as palavras, as
brigas de adolescente, as
idas aos mesmos lugares, as
baladas, o primeiro gole,
o primeiro trago, a
primeira vez, o primeiro amor
platônico, a primeira
noite
que deu importância à
coisas insignificantes
como o brilho do luar
no mar.

Lembro de
tudo como
se fosse
ainda essa madrugada,
que parece
que nunca acabará.
E as estrelas
me deixam embriagado e
no fundo
eu não
mudaria sequer um segundo ou
sequer um ato de
tudo que vivi,
tudo que fiz
até hoje. Não que eu esteja feliz
com tudo e com
todos, mas
por mais que não estejamos sorrindo
ainda estaremos vivendo e
eu quero mostrar
a todos
o quão
vivo estou.

Muita coisa andou mudando
há muito tempo e
certas coisas
continuam idênticas.

Sempre
um guri
às quatro da manhã
ouvindo uma música
qualquer porque
não consegue
entender porque
tem que dormir cedo, mesmo
sabendo que daqui a umas duas horas e
uns quebrados vai ter que acordar e
ir a algum compromisso,
mesmo que seja familiar.

Seja System of a down,
Rammstein ou
Enya.

Sempre
um guri
com os olhos vermelhos
porque ficou
forçando tempo de
mais, olhando pra tela do com-
putador e
tocando músicas
idiotas na guitarra
ou
no violão, já
que a guitarra
fugiu de casa
há muito tempo e
nunca mais voltou.

No fim é
sempre a mesma coisa
só que de um jeito
diferente e
com um gosto diferente e
sabe?
Sempre carrego
meia dose de áçucar.

Mas é melhor eu
parar de escrever,
isto não
é e nem
deve ser
um diário.
Odeio diários.

5 comentários:

  1. Quero muito tomar uma dose inteira, duas, tres, quatro, quatas eu puder tomar... Vc eh lindo, simplesmente perfeito, quero ter vc...

    posso pintar meu cabelo pra ser essa tal 'menina
    dos cabelos ruivos...'

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  2. ficou tipo um diario esse heim thin, da ate uma nostalgia ler essa porrae.... Muito bom esse texto veio \o

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  3. Jéssica Andrade7 de maio de 2011 19:42

    Esse anonimo ae nao aguenta nem meia dose, se aguentasse mostraria a cara.
    tsc tsc tsc

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  4. Adorei, gostei, gostei, amei.
    Mesmo estacionando os cabelos...

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