quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O que sobrou.

Dentro do banheiro
luz apagada
trancado
para fora.

A beira da morte
na beira da estrada
pedindo carona
sonhando com ignorância.

Interpretando sonhos,
pensamentos,
músicas
e mentiras.

Contando piadas
e ofendendo dúzias,
fumando orégano
e vendendo grilo.

Certo
que era certo
que tinha por certo
o que não era certo.

E percebera que era escravo
do pior senhorio,
ele mesmo.

Tentava ser 10% do que queria ser
e era 10% do que tentava ser.

Pedro,
25 anos,
pedreiro
e ainda acredita em duendes.

Thiago,
19 anos,
vagabundo, cachaceiro
e ainda acredita em amor verdadeiro.

Escrito em: 13/01/2011
às 22:20, quarta-feira.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Recaída.

Um dia normal
exceto pela sua imagem
na areia.

E num piscar de olhos
me vejo nos seus braços
de novo
e de novo.

Com os olhos fechados
ninguém vai me enxergar
eu luto sozinho
e ninguém vai me alcançar.

A água,
o sol
e o sal.

E já tive uma recaída
e me vi recaído,
retraído
nos seus braços.

E aonde isso pode chegar?

O fim se aproxima
com vista para o mar.

Ninguém sabe
o que é preciso
pra ser alguém como eu.

Ninguém vê
por trás das mentiras
que me afogam.

Meus sonhos são tão
vazios.

Perco horas e horas
com a solidão.

E ontem
nos meus sonhos vazios
me vi de novo
e de novo
nos seus olhos fechados.

Senti vontade de gritar
agredir objetos
ou apenas sentar
e ver o mundo passar.

O gosto de limão
exagerado
uma garrafa de água
e o tempo mal gasto.

Não vejo mais graça
em competir,
com os olhos vendados
não posso ganhar.

Por quê?
Eu me vejo de novo
e de novo
nos seus olhos,
vejo com seus olhos.

E seria eu agora
o hipócrita?

Talvez eu devesse apenas
me ajoelhar.

Enquanto todos procuram
príncipes e princesas
continuo em busca
do dragão perfeito.



Que vês?
Que vês quando me vês?
Quando a mentira acabará? (Tihuana)

sábado, 22 de janeiro de 2011

One day, one dream.

Sentado,
lendo,
pensando
e escrevendo.

As horas passam,
o tempo voa,
as folhas caem
e os pássaros cantam.

Chove,
tiro minha jaqueta,
sinto o frio,
mas é por uma boa causa.

Um amigo na calçada,
outro na praia
e eu com a testa cortada.

Mentiras,
mais mentiras,
vergonha
e culpa.

Eu,
com a lata de cerveja
que tem nome próprio
escrevo,
antes que a minha
epifania
desvaneça.

Distribuo palavras
que trazem dor
trazem tristeza
afagam a tristeza
afagam quem tem tristeza.

Procuro machucados
só pra fingir que os curo
e sempre acabo os piorando.

Estou sempre por aqui
bebendo e falando de amor
as pessoas vem e vão
e eu continuo por aqui.

Gosto da vista daqui.