Saudades,
dos amigos,
das conversas,
da nostalgia.
As mesmas histórias,
mesmas mentiras,
cortesias,
teorias.
Saudades,
da chuva
e da vontade de se molhar
do sono
e do guitarrista
- que não para de tocar. -
As mesmas idiotices,
mesmos jogos,
sonhos,
programas.
Saudades,
da poesia,
da sua beleza,
sua anarquia,
sua apologia.
Saudades,
de mim,
do meu rosto,
seu rosto,
seu humor,
seu outro humor
saudades da minha caneta
e do meu desgosto.
Saudades,
da cor,
da dor,
do calor.
Saudades da minha pele,
do riso,
da demagogia,
dos amigos
movidos a hipocrisia.
Saudades da indecisão,
da cobiça
e da provocação.
Saudades
das saudades
e das mesmas mesmices,
mesmo assim.
Quem sabe isso passa
sendo eu tão inconstante. (Ana Carolina)
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Coca-cola roxa.
O pai bêbado,
a mãe fumante
e a coca-cola roxa.
O garoto,
que ainda não cansara
de dar lições de moral,
agora filosofava
à pessoas diferentes.
E o garoto percebeu
que a distância
que ele pensou que o curaria
agora o feria
e o garoto sofria
muito mais do que antes.
E o garoto
assistia palhaços
sem fantasia
e via o fogo
e a coca-cola roxa.
E via as estrelas
- bem melhor que essas estrelas que se vê na cidade -
e via as nuvens
e refletia
- sobre essas coisas que não se deve refletir -
Durante o dia
o garoto lia livros
com histórias óbvias
e desinteressantes
e ouvia músicas repetidas
- mas tinha medo de certas músicas
então preferia aquelas mesmo. -
E assistia os beijos incessantes
dos cachorros
com os homens
nas valetas
que tinham provado de mais
cerveja, vodka e pinga.
O garoto não sabia ao certo
o que ao certo queria.
Já tivera querido
queridos amigos
um emprego e muito dinheiro
e o amor de toda vida.
Agora tudo que desejava
era um banho,
cama,
palavras de compaixão.
Uma voz,
um toque
ou uma ligação.
Escrito em: 09/01/2011
às 17:34 ~ 23:44, Domingo.
a mãe fumante
e a coca-cola roxa.
O garoto,
que ainda não cansara
de dar lições de moral,
agora filosofava
à pessoas diferentes.
E o garoto percebeu
que a distância
que ele pensou que o curaria
agora o feria
e o garoto sofria
muito mais do que antes.
E o garoto
assistia palhaços
sem fantasia
e via o fogo
e a coca-cola roxa.
E via as estrelas
- bem melhor que essas estrelas que se vê na cidade -
e via as nuvens
e refletia
- sobre essas coisas que não se deve refletir -
Durante o dia
o garoto lia livros
com histórias óbvias
e desinteressantes
e ouvia músicas repetidas
- mas tinha medo de certas músicas
então preferia aquelas mesmo. -
E assistia os beijos incessantes
dos cachorros
com os homens
nas valetas
que tinham provado de mais
cerveja, vodka e pinga.
O garoto não sabia ao certo
o que ao certo queria.
Já tivera querido
queridos amigos
um emprego e muito dinheiro
e o amor de toda vida.
Agora tudo que desejava
era um banho,
cama,
palavras de compaixão.
Uma voz,
um toque
ou uma ligação.
Escrito em: 09/01/2011
às 17:34 ~ 23:44, Domingo.
Mesma mesmice, mesmo assim.
Os mesmo acordes,
a mesma batida,
a mesma voz
- e que voz -
e os mesmos sentimentos.
Com insônia,
ouvindo o relógio 'tiquetaquear'
e contando quantos segundos
há em uma hora.
Pensando em como seria
se ele tivesse agido
diferente.
Brincando de adulto
e bancando o sério
todo mundo o via
mas ninguém o ouvia.
Filosofando
e criando versos
inventando acontecimentos
perversos
para versos
inversos.
A mesma música,
o mesmo guitarrista,
com as mãos fodidas,
sem poder criar suas melodias.
Fazendo médias
e se esquecendo
olhando casais na rua
e sofrendo.
Pintaram seu coração,
arranharam sua pele
marcaram sua alma
e gravaram em suas memórias
o ardor do beijo
que queimava seus lábios.
As mesmas vozes,
as mesmas vezes,
pensando até que parte
fora verdade
e o que fora mentira
que se fora
sendo que,
na verdade
a verdade
ele já sabia
mas era feita de tristeza
então ele esquecia
ou fingia que esquecia,
já que ele não se dava bem
com essas coisas
de esquecer
ou deixar de lembrar.
Escrito em: 14/01/2011
às 11:11, sexta-feira.
a mesma batida,
a mesma voz
- e que voz -
e os mesmos sentimentos.
Com insônia,
ouvindo o relógio 'tiquetaquear'
e contando quantos segundos
há em uma hora.
Pensando em como seria
se ele tivesse agido
diferente.
Brincando de adulto
e bancando o sério
todo mundo o via
mas ninguém o ouvia.
Filosofando
e criando versos
inventando acontecimentos
perversos
para versos
inversos.
A mesma música,
o mesmo guitarrista,
com as mãos fodidas,
sem poder criar suas melodias.
Fazendo médias
e se esquecendo
olhando casais na rua
e sofrendo.
Pintaram seu coração,
arranharam sua pele
marcaram sua alma
e gravaram em suas memórias
o ardor do beijo
que queimava seus lábios.
As mesmas vozes,
as mesmas vezes,
pensando até que parte
fora verdade
e o que fora mentira
que se fora
sendo que,
na verdade
a verdade
ele já sabia
mas era feita de tristeza
então ele esquecia
ou fingia que esquecia,
já que ele não se dava bem
com essas coisas
de esquecer
ou deixar de lembrar.
Escrito em: 14/01/2011
às 11:11, sexta-feira.
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