segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Verso de boa noite.

Andei distâncias
e tentei experimentar tudo que pensei
tive vários momentos,
vi as marés
e a areia
de mil lugares.

Vi pessoas estranhas,
boas e más,
vi paisagens lindas,
vi coisas de desanimar,
vi coisas que não posso esquecer
e vi coisas que não quero lembrar.

Vi a vida passar
fingindo que vivi
e fingindo que não via
coisas que não se deve ver
ou rever.

Eu vi bruxas
e macacos,
vi sangue
e eu vi todos os sete pecados.

Eu vi pessoas
e lugares
podres e mal cuidados.

Eu vi acertos
e erros,
eu vi lágrimas
e desespero.

Eu vi jornais,
ouvi noticias.

Eu vi o ódio, vil
o amor
vi a loucura,
vi a solidão
e o sadismo.

Eu vi tudo,
que qualquer um já quis ver
e eu vi tudo
de um lugar que ninguém quis ver.

Hoje a manhã chega devagar
minhas memórias e minha vida
caminham em direção ao ralo,
eu nunca sei aonde estarei amanhã,
mas talvez amanhã seja um dia melhor.

Por enquanto
só quero fingir que estou vivendo
e ver o tempo passar
esperando meu telefone tocar.

Talvez eu só esteja ouvindo a música errada.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

The poet and the muse.

Hoje eu acordei feliz,
acordei feliz porque
eu finalmente não tinha tido uma noite de pesadelos
e porque eu tinha passado a madrugada anterior fazendo coisas que gosto
de fazer,
acordei feliz
porque sim.

Não sei bem se acordei feliz
ou se fiquei feliz depois de acordar
assim como não sei se estava ouvindo Bob Dylan porque estava feliz
ou se estava feliz porque estava ouvindo Bob Dylan.

Eu acordei feliz
porque pude olhar pras suas fotos
e sorrir
e pude lembrar do amigo
que estava na frente de um computador
sozinho
e sorrir de novo.

Acordei feliz, porque as músicas não estavam mais
me dando vontade de chorar
e eu acordei feliz
e fiquei feliz
por assim estar.

Acordei feliz,
porque o telefone tinha tocado
e não era alguém querendo meu dinheiro
e fiquei feliz por perder meia hora
deitado na cama
olhando o teto
conversando com ela.

Eu acordei feliz,
por ter tirado o peso das minhas costas
e ter tirado o peso da minha consciência,
estava feliz
por não estar triste
e não estava triste
porque cansei de não estar feliz
ou cansei de estar triste
ou vi que a solidão não tinha guardado nada
pra eu comer no final do dia
nem nada pra eu beber
quando ficasse com sede.

Acordei feliz,
porque acordei lembrando das músicas místicas de terror
e fiquei lembrando das criaturas
que tinha lido num conto de fadas qualquer
e lembrei do garoto
que andava no escuro
apenas com uma lanterna
e me vi feliz
com nada nas mãos
apenas montando esquetes
melhores
do que as que tinham a musa que morreu
e o poeta triste
por não ter mãos
pra escrever.

Estava feliz
só porque tinha voltado
a ser como era
e não sei se o que eu era
é realmente o que eu sou
ou o que eu gosto de ser
mas enquanto minhas linhas estiverem quebradas
e eu não estiver mais citando melancolia
e enquanto eu estiver contando histórias
e tiver ao menos uma pessoa apreensiva...


Estarei feliz.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Banho e tosa.

Setenta e cinco reais
e alguns litros de gasolina,
o garoto já não era o mesmo
estava caído na esquina.

Reclamava da doença
e do sono
que o abatiam.

Estava triste
consigo mesmo
e com as outras pessoas também
e ao mesmo tempo
esbanjava um sorriso de invejar
que nem ele mesmo saberia explicar.

Talvez ele tenha aprendido a viver melhor
depois que conheceu a garota
de cabelos brancos
que falava sobre o escafandro
e a borboleta.

E ele sorria
e consentia com a cabeça
como se estivesse entendendo,
ela mal sabia, que ele usava um dicionário
pra falar com ela
e ele se esforçava, só para aprender um pouco mais
sobre a vida e aquelas palavras difíceis
que só ela sabia falar
e sobre aquelas bandas estranhas
que só ela sabia escutar e cantar.

E talvez ele tenha aprendido a viver melhor
depois que a garota de cabelos pretos
o chutou, enquanto ele fingia que dormia
e disse pra ele que não era assim que se vivia
e ensinou pro garoto dizer não
à sua antipatia.

O garoto realmente já não era o mesmo
tanto na sua aparência
quanto no seu interior
ele mesmo sentia isso
se sentia adulto
e não sentia nenhum temor.

O garoto realmente,
finalmente tinha crescido
e agora ele entendia um pouco
pouco a pouco
depois de tanto ter vivido.

Talvez tenha sido o álcool
ou os músicos de nomes compostos
talvez tenham sido as dificuldades
ou só o tempo, transparecendo o seu interior.

Agora, o garoto via respostas óbvias
a perguntas que ele já passara a noite em claro
tentando resolver.

E se,
talvez,
às vezes.

Agora o garoto era forte
e decidido
sabia o que queria
e não era facilmente atingido.

Agora o garoto era sábio
agora,
muito mais do que antes,
o garoto tinha motivos de orgulho.

Agora, o garoto se sentia bem,
apenas era sempre pessimista
quando se falava em amor
e dizia que foi feito para sofrer.

Mas isso,
é fácil de se resolver.

- E se eu te oferecesse um drink?
- Aceitaria [...] E se eu te oferecesse um beijo?
- Espero que não se importe com o gosto de amônio, sódio e difenidramina.