Toda a minha vida
passei procurando,
escondido,
por alguém que tivesse o som
que você tem.
Agora, estou aqui
você está aqui,
e não mais vou deixar você ir
sei que você vai me ajudar
nos momentos que eu mais precisar.
Pegue os frascos de shampoo
e os sabonetes
e vamos embora.
Toda a minha vida
passei procurando,
escondida,
por alguém que compreendesse
o meu som.
E agora você está aqui,
eu estou aqui,
não quero mais ir,
sei que você vai precisar de mim
e espero poder ajudar.
Pegue as chaves do carro
e os documentos
e vamos embora.
Abro mão de tudo
pra satisfazer a minha crise de abstinência
não durmo,
não vivo,
maldita a sua ausência.
Pinto acentos
em mentiras
faço esculturas
de demagogia.
Ignoro eles
e elas.
Não precisam de mim
um a um
mato com um tiro no meu peito.
Me entregue,
se entregue,
livre-me,
dê-me.
Todas as nossas vidas
passamos procurando,
escondidos,
por alguém.
Não há nada a dizer,
quando suas mãos estão em mim
não há nada o que fazer,
quando eu sinto o seu perfume
apenas fecho os olhos.
E me pergunto se você pode me ouvir
e pergunto o quanto você pôde ouvir.
E você repete o dia todo
cortejos de amor,
me deixa sem graça,
retribuo com poesias
e tento até compor.
Chego a querer te odiar
mas quando te olho nos olhos
lembro porque vale a pena,
mas quando fecho os olhos
vejo por que vale a pena.
Poderia viver um século
me alimentando da lembrança,
da marca no lençol
e da roupa lavada em cima da cama.
Complicamos tanto...
depois tentamos não nos arrepender.
Só o tempo sabe o que virá
e ele não quer nos dizer.
No final, essa é a graça
neste jogo ninguém pode entender,
as regras mudam a cada minuto
e perde o primeiro que ceder.
No final não quero entender,
amanhã eu penso nisso,
vou ver tv.
No final, não podemos saber,
agora te quero,
amanhã vou te esquecer,
No final, não quero saber,
agora quero a outra,
agora quero alguém do cais,
agora preciso beber.
Toda a minha vida
passei procurando,
querendo saber o porque.
Procurei entender
as leis do universo
e os finais dos seriados.
Sempre achei explicação pra tudo,
sempre me senti bem com isso,
me viciei, sem querer.
Cada um chame como quiser,
cada um tem seu próprio amor.
E eu acho que o motivo de eu me fascinar
todas as vezes que você está ao meu lado
é não conseguir explicar
nem ter que entender,
o que eu sinto
e o que você me faz sentir.
A resposta por enquanto é:
você.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
domingo, 12 de dezembro de 2010
19 Esquetes.
Meio dia
e uns trocados
acordou
mal acordou
e com cara de sono
já disse:
- O que diabos estou fazendo acordado?
Quis ficar na cama,
levantou resmungando
só para que
- para inferno futuro -
tentasse cancelar suas obrigações.
Falhou
e decepcionado,
ficou sentado
olhando pra parede
e umas horas e outras
olhava uma criança correndo pela cozinha,
como quem ve um bichinho de estimação novo
ou algo sobrenatural,
olhava espantado
e ria.
Mecheu em uns papéis estranhos
que tinham seu nome
e seu telefone
e ficou bem uns trinta minutos
fazendo esquetes na sua cabeça
e rindo sozinho.
Quando finalmente acordou
se arrumou
e foi fazer uma prova, ou algo assim
e foi até lá vendo alguém passar-lhe sermões,
vendo apenas,
porque só se ouvia o resto de suas esquetes
e ficou meio chateado,
muito chateado,
pois lembrou suas esquetes não podiam ser interpretadas
e cansou de montar seus roteiros imaginários.
Chegou adiantando e foi direto para uma mesa
que tinha seu nome completo
como uma etiqueta
e olhou para os lados
e fintou apenas gente estranha.
Olhou até uns velhos conhecidos,
que não quiseram lhe comprimentar
e teve vontade de vomitar alguns vezes.
Todos vestiam rosa e branco,
azul e roxo,
um ou outro verde limão.
Olhou pro lado e viu um cara
de uns trinta e cinco anos
com uma camisa preta de uma banda
e se sentiu parte de algum conjunto,
ou algo assim.
Conversaram do único assunto possível
e pararam quando uma mulher veio cheia de papéis
e disse umas palavras estranhas
com um sotaque engraçado
que ninguém entendeu.
Fez logo o que tinha que fazer,
pintou todo papel à lápis
e observou a ignorância de muitos,
rindo e montando mais esquetes
enquanto escrevia
e achava que era o centro das atenções
mesmo sem ninguém olhar pra ele.
Logo saiu da sala,
e sentiu a mudança de temperatura,
ficou meio tonto e tomou um café
e decidiu esperar sua carona sentado na sombra.
Ele estava lá,
sentado na frente de uma escola estranha
que ele não queria estudar
e ficou pensando nela,
na outra,
na outra
e na outra.
E teve vontade de chorar,
por umas três vezes,
por motivos diferentes.
Mas sempre que seus olhos lacrimejavam
seu orgulho agia
e ele transformava a tristeza em algo pior
e guardava pra depois.
Dormiu a tarde inteira,
só pra fazer suas dores passarem,
sonhou com muitas coisas desagradáveis,
ultimamente seus sonhos eram pesadelos
e seus pesadelos eram pesadelos piores ainda.
Se cansou,
quando acordou com o coração disparado,
decidiu ficar acordado.
Ficou dando palestras para estranhos,
sobre assuntos que não eram o seu forte,
mas ele não conseguia conversar.
Depois ficou procurando alguém
para descontar seu estresse
e falar todos seus problemas,
e talvez ouvir palavras confortantes,
mas não achou ninguém,
todos tinham sumido
pediu socorro
e pediu um abraço.
Quando estava deitado,
quase dormindo de novo, frustrado,
seu telefone tocou.
E um estranho apareceu no portão da casa dele
justo o único que ele não queria conversar
ficou calado, durante horas.
De tanto o estranho insistir
ele contou toda sua história
que queria que outros milhares
tivessem perguntado antes.
E o estranho usou toda sua força
pra dizer umas palavras bonitas
aconselha-lo
e encorajá-lo.
E ele virou um poço de sentimentos,
não sabia se sentia pena,
se ficava feliz,
triste,
nervoso
ou aliviado.
E o estranho foi dormir
e ele ficou sentado, ouvindo músicas,
músicas que lembravam ele
daquilo que não podia lembrar.
mas ele gostava de sofrer
e continuou cada vez mais
ouvindo e prestando atenção nas músicas
e escrevendo coisas idiotas.
E até descobriu músicas novas
que deixavam ele pior ainda,
ficou sem saber o que fazer
e voltou a montar esquetes
que nem tinham finais felizes.
Esquetes,
esquetes e mais
esquetes.
É só isso que ele sabia fazer
e nem trabalhava como diretor
ou roteirista.
Inventou algumas mentiras
e contou pra si mesmo
só para se auto-afirmar
e fingir que estava tudo bem.
Ele precisa parar com isso,
precisa mesmo.
E ele continua fazendo tudo,
contando com a reação das pessoas,
das pessoas que nem ligam pra ele
e não faz mais nada pensando em si mesmo.
Eu já disse pra ele,
mas ele diz que roubaram seus braços.
Não sei,
deve ser difícil,
deve doer,
não posso julgar,
mas pelo menos lhe restaram as pernas
para caminhar.
Vamos, melhor se levantar,
o chão está gelado
e você está molhado,
vai acabar ficando resfriado.
Vamos, não fique assim,
por favor,
não combina com você.
Ok, estou te esperando do outro lado,
não me desaponte.
Confio em você.
e uns trocados
acordou
mal acordou
e com cara de sono
já disse:
- O que diabos estou fazendo acordado?
Quis ficar na cama,
levantou resmungando
só para que
- para inferno futuro -
tentasse cancelar suas obrigações.
Falhou
e decepcionado,
ficou sentado
olhando pra parede
e umas horas e outras
olhava uma criança correndo pela cozinha,
como quem ve um bichinho de estimação novo
ou algo sobrenatural,
olhava espantado
e ria.
Mecheu em uns papéis estranhos
que tinham seu nome
e seu telefone
e ficou bem uns trinta minutos
fazendo esquetes na sua cabeça
e rindo sozinho.
Quando finalmente acordou
se arrumou
e foi fazer uma prova, ou algo assim
e foi até lá vendo alguém passar-lhe sermões,
vendo apenas,
porque só se ouvia o resto de suas esquetes
e ficou meio chateado,
muito chateado,
pois lembrou suas esquetes não podiam ser interpretadas
e cansou de montar seus roteiros imaginários.
Chegou adiantando e foi direto para uma mesa
que tinha seu nome completo
como uma etiqueta
e olhou para os lados
e fintou apenas gente estranha.
Olhou até uns velhos conhecidos,
que não quiseram lhe comprimentar
e teve vontade de vomitar alguns vezes.
Todos vestiam rosa e branco,
azul e roxo,
um ou outro verde limão.
Olhou pro lado e viu um cara
de uns trinta e cinco anos
com uma camisa preta de uma banda
e se sentiu parte de algum conjunto,
ou algo assim.
Conversaram do único assunto possível
e pararam quando uma mulher veio cheia de papéis
e disse umas palavras estranhas
com um sotaque engraçado
que ninguém entendeu.
Fez logo o que tinha que fazer,
pintou todo papel à lápis
e observou a ignorância de muitos,
rindo e montando mais esquetes
enquanto escrevia
e achava que era o centro das atenções
mesmo sem ninguém olhar pra ele.
Logo saiu da sala,
e sentiu a mudança de temperatura,
ficou meio tonto e tomou um café
e decidiu esperar sua carona sentado na sombra.
Ele estava lá,
sentado na frente de uma escola estranha
que ele não queria estudar
e ficou pensando nela,
na outra,
na outra
e na outra.
E teve vontade de chorar,
por umas três vezes,
por motivos diferentes.
Mas sempre que seus olhos lacrimejavam
seu orgulho agia
e ele transformava a tristeza em algo pior
e guardava pra depois.
Dormiu a tarde inteira,
só pra fazer suas dores passarem,
sonhou com muitas coisas desagradáveis,
ultimamente seus sonhos eram pesadelos
e seus pesadelos eram pesadelos piores ainda.
Se cansou,
quando acordou com o coração disparado,
decidiu ficar acordado.
Ficou dando palestras para estranhos,
sobre assuntos que não eram o seu forte,
mas ele não conseguia conversar.
Depois ficou procurando alguém
para descontar seu estresse
e falar todos seus problemas,
e talvez ouvir palavras confortantes,
mas não achou ninguém,
todos tinham sumido
pediu socorro
e pediu um abraço.
Quando estava deitado,
quase dormindo de novo, frustrado,
seu telefone tocou.
E um estranho apareceu no portão da casa dele
justo o único que ele não queria conversar
ficou calado, durante horas.
De tanto o estranho insistir
ele contou toda sua história
que queria que outros milhares
tivessem perguntado antes.
E o estranho usou toda sua força
pra dizer umas palavras bonitas
aconselha-lo
e encorajá-lo.
E ele virou um poço de sentimentos,
não sabia se sentia pena,
se ficava feliz,
triste,
nervoso
ou aliviado.
E o estranho foi dormir
e ele ficou sentado, ouvindo músicas,
músicas que lembravam ele
daquilo que não podia lembrar.
mas ele gostava de sofrer
e continuou cada vez mais
ouvindo e prestando atenção nas músicas
e escrevendo coisas idiotas.
E até descobriu músicas novas
que deixavam ele pior ainda,
ficou sem saber o que fazer
e voltou a montar esquetes
que nem tinham finais felizes.
Esquetes,
esquetes e mais
esquetes.
É só isso que ele sabia fazer
e nem trabalhava como diretor
ou roteirista.
Inventou algumas mentiras
e contou pra si mesmo
só para se auto-afirmar
e fingir que estava tudo bem.
Ele precisa parar com isso,
precisa mesmo.
E ele continua fazendo tudo,
contando com a reação das pessoas,
das pessoas que nem ligam pra ele
e não faz mais nada pensando em si mesmo.
Eu já disse pra ele,
mas ele diz que roubaram seus braços.
Não sei,
deve ser difícil,
deve doer,
não posso julgar,
mas pelo menos lhe restaram as pernas
para caminhar.
Vamos, melhor se levantar,
o chão está gelado
e você está molhado,
vai acabar ficando resfriado.
Vamos, não fique assim,
por favor,
não combina com você.
Ok, estou te esperando do outro lado,
não me desaponte.
Confio em você.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Temos que pegar.
Talvez nunca me acostume
tento sorrir com a cabeça baixa
e todos vivem me perguntando:
'você já realizou seus sonhos?'
O passado é confortante,
mas ao invés de viver da minha velha infância
quero tentar entender
e viver o presente
por mais que tenha nascido covarde.
Parece que fui feito de pedras
e quando sorrio todos estranham
e quando choro todos se espantam
preguei tanto isso
e agora quero me livrar, mais do que tudo.
Observo todos conversando
de assuntos grotescos
e parece que já me contaram o final de tudo
são como esquetes, malfeitas,
fico apenas assistindo
vendo o final acontecer.
E me dizem:
isso não é amor,
sexo não é amor.
Mas esquecem de tirar o gosto de látex da boca.
E depois
saio de casa
com cara de sono
e o cabelo desarrumado
como sempre
- frescura minha -
fugindo do sol
com a língua amarela
falando de coisas fúteis
e interessantes
que a maioria das pessoas nem ligaria
- quer um halls?
Meus vícios tendem a ter finais sádicos
e a minha própria cara de espanto,
quando não uma lágrima ou outra
não são muito sadios.
Preciso de um vício novo,
acho que também vou comprar uns esmaltes
só pra deixar na prateleira
e ter pelo menos uns
cento e cinquenta,
só não quero o pikachu.
tento sorrir com a cabeça baixa
e todos vivem me perguntando:
'você já realizou seus sonhos?'
O passado é confortante,
mas ao invés de viver da minha velha infância
quero tentar entender
e viver o presente
por mais que tenha nascido covarde.
Parece que fui feito de pedras
e quando sorrio todos estranham
e quando choro todos se espantam
preguei tanto isso
e agora quero me livrar, mais do que tudo.
Observo todos conversando
de assuntos grotescos
e parece que já me contaram o final de tudo
são como esquetes, malfeitas,
fico apenas assistindo
vendo o final acontecer.
E me dizem:
isso não é amor,
sexo não é amor.
Mas esquecem de tirar o gosto de látex da boca.
E depois
saio de casa
com cara de sono
e o cabelo desarrumado
como sempre
- frescura minha -
fugindo do sol
com a língua amarela
falando de coisas fúteis
e interessantes
que a maioria das pessoas nem ligaria
- quer um halls?
Meus vícios tendem a ter finais sádicos
e a minha própria cara de espanto,
quando não uma lágrima ou outra
não são muito sadios.
Preciso de um vício novo,
acho que também vou comprar uns esmaltes
só pra deixar na prateleira
e ter pelo menos uns
cento e cinquenta,
só não quero o pikachu.
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