quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A raposa branca, o gato amarelo e o garoto vermelho.

A cidade está acordando
e eu estou dormindo.

Meu chá está totalmente
seco e eu me pergunto
se ainda sei escrever.

Abro a janela e olho para as mesmas
nuvens de sempre.
Mas não consigo ver muito
além disso.

As pessoas estão morrendo,
mas eu não.
As pessoas estão vivendo,
mas eu não.
Consigo
ver muito além disso.

Bem, você poderia ser aquela
mulher que eu adorei.

Não há mais nada
onde costumava deitar,
minha conversa vai se esgotando,
isso é o que vem acontecendo.

Ando meio sem fé,
com frio e envergonhado.
Apenas deitado no chão
pensando nas ilusões que
não se tornam reais.

Estou bem acordado e posso ver
o céu está um pouco
atrasado.

Acho que aquele rapaz
de cartola estava certo.
Eu deveria ter visto
o que estava lá e
não algo divino.

Mas você rasteja em minhas veias e
agora não importa, sorte não
é real para mim.

Eu já não sinto falta,
apenas há tantas coisas
que não posso tocar.

O que está acontecendo?
Me pergunto o motivo de querer
sair da cama.

Apenas a mesma chuva na minha janela
é assim que me sinto.

Mas não consigo ver nada
e mesmo
que pudesse
imagino tudo em tons
de cinza e preto.

Desejo apenas
um retrato
para me lembrar
que não é tão ruim.

Saí demais de mim e
tenho contas a pagar.
Minha cabeça dói como nunca
e eu perdi o último trem
para o meu destino.

Estou atrasado de novo,
apenas gostaria de alguém
que me ligasse e
dissesse que não é tão ruim assim.

Alguém para agradecer
por me dar ótimos dias.

Chego em casa, completamente
molhado e desanimado.

Vejo as mesmas coisas
e até gosto.

As pessoas mudam, as
pessoas vão e vem.

O destino é realmente
peculiar.

A vida é realmente
peculiar.

Talvez eu não tenha metade
das coisas que sonho.
Talvez eu nunca vá ter
metade das coisas
que sonho.

Mesmo assim
não é tão ruim.

Finalmente meu
quarto está arrumado, finalmente.

Eu apenas gostaria
de agradecer,
por me dar os
melhores dias da
minha vida.

Eu apenas gostaria de agradecer
cada um, apenas
gostaria de agradecer.

Agradecer a mim mesmo.

Já que mesmo com todas
as situações desfavoráveis
eu sou capaz de sorrir.

Meu chá não está tão frio,
não está tão seco.

Me pergunto se as pessoas ainda
gostarão do que escrevo, mas jamais
esquecerei como enfeitar meus trechos.

Abro a janela e olhos para nuvens cada vez
mais lindas.
E consigo ver cada vez mais
além disso.

As pessoas estão morrendo,
mas eu não vejo problema nisso.
As pessoas estão vivendo
e elas estão cada vez melhores.
Eu consigo ver muito além dos
seus sorrisos

Cada pessoa que vejo
eu passo a amar mais.

Tenho muita fé no que digo.

O frio em pleno verão
condiz com tudo que sinto.
Apenas sentado olhando
a paisagem.
Pensando nas minhas ilusões
que transformarei em
realidade.

Estou com sono, não minto.
Mas posso ver bem e o céu
está um pouco adiantado.

Aquele rapaz de cartola
sorriu pra mim e eu sorri de volta.
Eu deveria ter ido lá e
acreditado em algo divino.

Isto sempre correrá por minhas veias,
mas isto não importa, destino
não é real para mim.

Eu já sinto falta.
Falta das coisas que ainda não pude tocar.

E o que está acontecendo?
Me pergunto o motivo de
não querer ir para a cama.

Apenas é a chuva na minha janela,
ecoando o som mais belo de paz.

Mas não consigo ver problemas
e mesmo que pudesse eles
seriam apenas coisas pretas e
cinzas, num mundo devastado
de cores.

Desejo muito mais do que um
retrato para me apoiar.

Saí demais de mim, talvez
tenha bebido demais.
Tenho contas a pagar e
talvez nem me preocupe o quanto
deveria com isto.

Minha cabeça dói, mas
logo passará.
Parece que perdi o último trem
para um terrível destino.

Estou atrasado de novo,
mas sei que tem muitas pessoas
me esperando no lugar em que
irei e isto
é o suficiente.

Apenas gostaria de alguém
que me ligasse e dissesse
que isto ainda é pouco.

Alguém para agradecer,
alguém que me desse dias ainda melhores.

Chego em casa, completamente
cansado, porém animado.

Vejo tudo diferente
e até gosto.

As pessoas mudam, as pessoas
vão e vem.

O destino é realmente peculiar.
A vida é realmente peculiar.

Talvez realmente seja fácil,
fácil desta maneira.

Mas a dor não bate mais
a porta do meu lar.

Então, não é tão ruim assim.
Não é tão ruim
quanto dizem;
Não é tão ruim
quanto pode ser;
Não é tão ruim
sem você;
Não é tão ruim
estar na minha pele;
Mesmo os dias tristes não são
tão ruins.
Ser feliz não é tão ruim assim.

Realmente não é tão ruim

Obrigado.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Kuroi namida.

Por incontáveis noites
desejei que o amanhã
não chegasse.

Perdidos os meus sonhos
e o meu amor;
Assim como esta
chuva que me acerta,
estou chorando.

Nunca estive tão triste,
nunca estive tão feliz.

Nunca estive tão certo,
nunca estive tão perdido.

Me sinto como um bibliotecário
que teve sua estante
de livros bagunçada
outra vez.

Para que eu possa viver
desta forma, sem enfeites,
do que mais eu preciso?

Sem acreditar no inacreditável,
no que devo acreditar?

A resposta está tão perto,
tão perto que
não consigo enxergar.

Eu, que derramo lágrimas frias,
tenho tudo e não
tenho nada;
Me sinto infinitamente triste.

De um modo que não posso
mais expressar com palavras;
Todo o meu corpo começa a doer,
tanto que uma pessoa só não
é capaz de suportar.

Cansado de viver esta madrugada,
meu rosto já não transparece mais
o que realmente sou.

Eu já não sou mais o que
realmente lutei para ser.

Criar sorrisos e esconder minhas
fraquezas é algo que não vou
mais fazer.

Viver desta maneira, neste
mundo é a coisa
mais difícil de se fazer.

Se for para receber algo
então que não possa
ser quebrado.

Mesmo que eu chore estas lágrimas
frias, não tenho mais nada a perder.
O amanhã chegará com seu
rosto lindo e desconhecido.

Eu quero tudo e todos,
mesmo sabendo o quão egoísta isso
pode ser.

Eu só espero
que os dias não sejam
mais assim.

Eu quero desaparecer ao
longe, mesmo sabendo
o quanto isso é egoísta.

Eu juro por mim,
eu juro por Deus.

Estas serão
as últimas palavras que escrevo
chorando.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Água.

Adrenalina
e medo.

Estampados na cara de
um cara que não
tinha cara de
pedir.

Uma dose de rum e
um charuto.

Mentiras, mentiras,
mentiras e mais
histórias mal contadas.

Ciúmes, inveja, raiva,
egoísmo, luxúria.

Favores e
pirraças. Namoros
e trapaças.

Dúvidas e
perguntas dentro
de uma noite como
outra qualquer.

Exceto pela mesma face
assustava e revoltada
com o amor.

Nomes verdadeiros e falsos,
desejos interminados
de uma vadia qualquer.

E eu deixo
a minha parte
para você.

Não gosto de pessoas,
nunca gostei.