Já faz algum tempo
que enterrei alguns sentimentos
que não preciso mais
ou penso que não preciso mais.
E agora abriram o buraco
que demorei anos pra fazer
para atirar coisas
que talvez eu precise mais tarde.
Jogaram meu ego
e outras coisas mais,
atearam fogo,
jogaram terra,
cimento
e uma pá de cal.
Com as mãos nuas
não consigo sequer começar a cavar
fico sentado
esperando alguém passar,
enquanto isso fico feliz
por ter sido citado em um texto
ou um livreto.
Ando sem acender as luzes
só pra apreciar o escuro
e saio de casa
quando vejo nuvens negras
só pra apreciar a chuva.
Você não poderia ser como eu,
se você terminar com algo parecido a isso
não irá aguentar
e vai clamar por lobotomia
ou eutanásia.
Digo essas palavras complicadas
só pra fingir que estou numa situação horrível
que na verdade
talvez nem exista
mais digo para impressionar
e parecer que eu tenho algum talento
além de ser pessimista.
Enquanto você continuar a procurar
vai sempre achar uma desculpa
para amar
e sempre vai ver esperanças
aonde não há
e talvez
quando eu seguir meus próprios conselhos
iremos tomar atitudes melhores
do que imaginarmos coisas bestas.
Não é qualquer um
que pode usar os meus versos livres.
Não é qualquer um
que pode entender
os meus versos livres
você não pode viver,
assim como todos vivem,
você tem que ver o sofrimento
mesmo aonde não há
aí então
vai entender
porque
eu
troco a linha
tantas vezes
e aí vai entender
que não digo só verdades
e que na maioria das vezes
digo inverdades que você tenta procurar em mim achando que na verdade eram
verdades,
não procure.
Se quiser ler,
posso escrever romances
basta por uns travessões
ou reticências
- eu sempre te amei, ou algo assim... -
Aí eu cativaria um número maior de pessoas
que só entendem algumas dúzias de palavras
mas que no fim
vão ser as pessoas que vão passar ao meu lado
e desenterrar
as coisas que eu enterrei
e vão dizer que preciso
e vão me perguntar como ainda não precisei.
Por hora,
vou tomar meu suco
feito de soja ou um gole de coca-cola,
e apreciar tudo de onde vejo,
de onde ninguém mais olha.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
sábado, 29 de janeiro de 2011
Kid ovelha.
Hoje eu saí da caverna
saí porque aqui era muito frio
e muito solitário.
Saí porque quis
e saí porque a cerveja tinha gelado
e eu queria algo destilado.
Saí porque queria encontrar algo
que me faltava
e porque não gostava mais do sabor de halls
que eu carregava.
Saí e deixei meu pai
preocupado com seu dinheiro falso
enquanto eu gastava o dinheiro real,
com peso na consciência,
em álcool.
Hoje eu saí da caverna,
saí porque queria sentir calor
e queria procurar o ardor
de coisas que eu não sentia mais arder.
Saí porque me cansei dos dezoito graus
e saí porque as lembranças
me faziam mal.
Fora da caverna,
nem sempre é bonito,
nem sempre é divertido,
acontecem coisas que eu não gostaria de ver.
E lá fora eu continuei procurando
o que não mais podia ter
e fiz coisas
que não gosto de fazer
e quando já não era eu,
o garoto barbado
e de cabelos bagunçados,
decidi parar de beber.
Nunca gostei muito
de sair da caverna
me ofereciam bebidas,
drogas,
sexo
e brigas,
ainda acho que a parte que eu mais gostei
foi sentar na areia
e ficar olhando as nuvens,
as estrelas e o mar
e descansar os pés, depois de tanto andar.
Na volta contei a história
a mim mesmo
e recontei
dezenas de erros
ouvia o som da sua voz,
os risos
e sentia medo.
E o fato de não esquecer
e lembrar todo dia
me preocupava
Eu,
o contador de histórias,
quando me vi a frente
de novo com a minha história favorita
ainda não estava contente com seu final.
E fiquei pensando se o que eu realmente senti,
sentia era amor
e fiquei repensando e repassando
se eu queria recomeçar a história
e dessa vez, vencer o mal.
Talvez eu seja só idiota
e pense nas coisas demais,
talvez eu seja só um idiota
que ainda te ame demais.
Ou de mais,
nunca sei
no fundo você tinha razão
mas peco em escrever errado
só pra não matar o orgulho
que eu talvez
deva matar
ao me ajoelhar.
Agora durma,
eu não quero manter você
comigo,
vou apenas ficar por aqui
e continuar contando histórias
e continuar contando as lágrimas.
saí porque aqui era muito frio
e muito solitário.
Saí porque quis
e saí porque a cerveja tinha gelado
e eu queria algo destilado.
Saí porque queria encontrar algo
que me faltava
e porque não gostava mais do sabor de halls
que eu carregava.
Saí e deixei meu pai
preocupado com seu dinheiro falso
enquanto eu gastava o dinheiro real,
com peso na consciência,
em álcool.
Hoje eu saí da caverna,
saí porque queria sentir calor
e queria procurar o ardor
de coisas que eu não sentia mais arder.
Saí porque me cansei dos dezoito graus
e saí porque as lembranças
me faziam mal.
Fora da caverna,
nem sempre é bonito,
nem sempre é divertido,
acontecem coisas que eu não gostaria de ver.
E lá fora eu continuei procurando
o que não mais podia ter
e fiz coisas
que não gosto de fazer
e quando já não era eu,
o garoto barbado
e de cabelos bagunçados,
decidi parar de beber.
Nunca gostei muito
de sair da caverna
me ofereciam bebidas,
drogas,
sexo
e brigas,
ainda acho que a parte que eu mais gostei
foi sentar na areia
e ficar olhando as nuvens,
as estrelas e o mar
e descansar os pés, depois de tanto andar.
Na volta contei a história
a mim mesmo
e recontei
dezenas de erros
ouvia o som da sua voz,
os risos
e sentia medo.
E o fato de não esquecer
e lembrar todo dia
me preocupava
Eu,
o contador de histórias,
quando me vi a frente
de novo com a minha história favorita
ainda não estava contente com seu final.
E fiquei pensando se o que eu realmente senti,
sentia era amor
e fiquei repensando e repassando
se eu queria recomeçar a história
e dessa vez, vencer o mal.
Talvez eu seja só idiota
e pense nas coisas demais,
talvez eu seja só um idiota
que ainda te ame demais.
Ou de mais,
nunca sei
no fundo você tinha razão
mas peco em escrever errado
só pra não matar o orgulho
que eu talvez
deva matar
ao me ajoelhar.
Agora durma,
eu não quero manter você
comigo,
vou apenas ficar por aqui
e continuar contando histórias
e continuar contando as lágrimas.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Para colorir:
Olhos vermelhos,
a amiga rosa
e a música violeta.
É uma pena que eu não veja mais as cores,
vejo um tom monocromático em tudo
e vejo tudo em câmera lenta.
Na realidade
nem sei bem porque queremos tanto assim começar alguma coisa,
sempre
acabamos num final
trágico
que nem é tão trágico assim,
é até bem simples sabe?
E compreensível,
até justo
- quando sim, quando não -
mas nós cravamos espadas no peito e saímos por aí
cantando glórias
e sacrifícios.
O refrigerante verde,
o cabelo amarelo
e daqui
não vejo as estrelas.
Não tenho certeza
de como posso matar essa minha vontade de matar minhas vontades
nem se quero matar minha vontade de matar vontades
aliás, nem sei mais minhas vontades.
Eu
nem sei bem quando preciso mesmo quebrar a linha dos meus versos
livres.
Não entendo bem
porque ouço músicas românticas
acho que preciso procurar por algo que não existe
porque se eu achasse o que procuro
talvez cansasse de procurar coisas pra procurar
e talvez descansasse para sempre
sem procurar mais nada.
Não faz sentido
sou tão ingênuo
e me intitulo como o sábio
mais inteligente de todas as tribos.
Participo do jogo, receoso
e tenho medo de apostar
mas quero ganhar o prêmio máximo
sem arriscar todas as minhas fichas
- que nem valem tanto assim. -
O sol azul,
a camisa branca
e os olhos ainda
vermelhos.
Não entendo bem
nem porque escrevo
e não entendo porque escrevo
coisas que ainda não entendi
pra pessoas que ainda não entenderam
essas coisas que não se pode entender
e acho que essa história de entender
ou não entender
é o que estende
a minha vontade de entender
o que significa ao certo
viver.
Talvez só precise de uma dúzia
de tintas guache
pra colorir
as coisas
das quais eu não vejo mais cor.
E talvez eu deva sair por aí
com um pincel,
um lápis e uma borracha
pra corrigir
e recolorir
as coisas que andaram
se estragando
e desbotando,
desbotando...
E talvez
eu não precise procurar
não deva sonhar
não necessite ver
nem entender.
E talvez
eu não precise
precisar.
a amiga rosa
e a música violeta.
É uma pena que eu não veja mais as cores,
vejo um tom monocromático em tudo
e vejo tudo em câmera lenta.
Na realidade
nem sei bem porque queremos tanto assim começar alguma coisa,
sempre
acabamos num final
trágico
que nem é tão trágico assim,
é até bem simples sabe?
E compreensível,
até justo
- quando sim, quando não -
mas nós cravamos espadas no peito e saímos por aí
cantando glórias
e sacrifícios.
O refrigerante verde,
o cabelo amarelo
e daqui
não vejo as estrelas.
Não tenho certeza
de como posso matar essa minha vontade de matar minhas vontades
nem se quero matar minha vontade de matar vontades
aliás, nem sei mais minhas vontades.
Eu
nem sei bem quando preciso mesmo quebrar a linha dos meus versos
livres.
Não entendo bem
porque ouço músicas românticas
acho que preciso procurar por algo que não existe
porque se eu achasse o que procuro
talvez cansasse de procurar coisas pra procurar
e talvez descansasse para sempre
sem procurar mais nada.
Não faz sentido
sou tão ingênuo
e me intitulo como o sábio
mais inteligente de todas as tribos.
Participo do jogo, receoso
e tenho medo de apostar
mas quero ganhar o prêmio máximo
sem arriscar todas as minhas fichas
- que nem valem tanto assim. -
O sol azul,
a camisa branca
e os olhos ainda
vermelhos.
Não entendo bem
nem porque escrevo
e não entendo porque escrevo
coisas que ainda não entendi
pra pessoas que ainda não entenderam
essas coisas que não se pode entender
e acho que essa história de entender
ou não entender
é o que estende
a minha vontade de entender
o que significa ao certo
viver.
Talvez só precise de uma dúzia
de tintas guache
pra colorir
as coisas
das quais eu não vejo mais cor.
E talvez eu deva sair por aí
com um pincel,
um lápis e uma borracha
pra corrigir
e recolorir
as coisas que andaram
se estragando
e desbotando,
desbotando...
E talvez
eu não precise procurar
não deva sonhar
não necessite ver
nem entender.
E talvez
eu não precise
precisar.
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