Na rua,
às quatro e meia da madrugada
não passam os carros
que passaram de dia.
E no lugar das pessoas,
há ratos
e as pessoas que sobraram
estão chorando
por algum motivo.
Alguns porteiros acordados
e amaldiçoando o tempo,
andando pela rua,
também amaldiçoo o tempo
que custa a passar.
Você me disse pra ficar
e esperar o tempo passar
mas nem ao menos
me deu a sua mão para segurar
- nem uma última vez. -
O tempo vai me curar
ou vai me matar,
o tempo vai me levantar
ou vai me derrubar,
vai quebrar meu coração
ou talvez me ensine a amar.
Mas por enquanto,
é melhor eu voltar pra casa,
o mesmo tempo fará
com que os carros
e as pessoas
voltem a passar
por aqui
e eu não gosto muito deles...
E as pessoas terão que parar de chorar
e fingir que não estão sofrendo
e o ratos vão ter de se esconder
dos gatos preguiçosos
e os porteiros vão dormir
e aproveitar seu meio salário.
Preciso comprar um relógio,
pra entender como funciona esse tal tempo,
preciso ser forte,
pra tentar entender,
eu preciso...
Gostaria que para sempre fosse
quatro e meia
da madrugada
e que a chuva caísse
pra esconder a minha cara
molhada.
Malditas cebolas.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Shiu.
Tem uns comprimidos
em cima da mesa
que não sei se devo tomar
ou não.
Acho que a vodka
tem o mesmo efeito
então não preciso.
Continuo com a sensação
de ter esquecido
algo muito importante
que eu tinha de fazer hoje.
Com a sensação
de que devia ter esquecido
algo muito importante
que eu lembrei hoje.
Mas as músicas que tocaram na rádio hoje
não ajudaram muito
não agradaram muito.
Não sei bem
o que fazer
ou o que faço bem.
Hoje ganhei no resta um,
esse jogo eu jogo bem.
Devia parar com essa mania
de amar
qualquer coisa que possa respirar.
Talvez eu só precise de alguém
ou precise que alguém
precise de mim.
Mas é melhor falar isso baixo
podem ouvir
e você pode acordar alguém.
em cima da mesa
que não sei se devo tomar
ou não.
Acho que a vodka
tem o mesmo efeito
então não preciso.
Continuo com a sensação
de ter esquecido
algo muito importante
que eu tinha de fazer hoje.
Com a sensação
de que devia ter esquecido
algo muito importante
que eu lembrei hoje.
Mas as músicas que tocaram na rádio hoje
não ajudaram muito
não agradaram muito.
Não sei bem
o que fazer
ou o que faço bem.
Hoje ganhei no resta um,
esse jogo eu jogo bem.
Devia parar com essa mania
de amar
qualquer coisa que possa respirar.
Talvez eu só precise de alguém
ou precise que alguém
precise de mim.
Mas é melhor falar isso baixo
podem ouvir
e você pode acordar alguém.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Quarenta, meia, três.
Três noites sem dormir
pelo mesmo motivo,
mas dessa vez era hora de consertar
os corações partidos
e as orações perdidas.
A chuva tinha parado de cair
e dessa vez ele suava
e esperava
ouvindo músicas que gostava.
O rapaz de vermelho era na verdade,
um rapaz bem estranho,
mas confiava no rapaz,
que hoje não trajava preto nem branco.
Lhe tiraram a barba
e o cabelo
e outras coisas que amava,
mas o rapaz,
desta vez, tinha confiança.
Todos eram velhos
e vestiam azul,
o trabalho deles era esse
não podia se culpar,
amaldiçoar
ou praguejar.
Quando chegou a hora
o rapaz, que hoje vestia uma camisa que nem era dele,
respirou fundo
e negou todos seus sentimentos
por tudo
por mais que ele ainda sentisse o perfume dela
no ar.
Há quem diga que ele incorporou algo
depois de ter bebido a sua lata
de coca-cola.
Seu sangue gelou,
cinco graus ou menos
o suor dele não era mais quente
nem frio
ele apenas olhava o nada
e estava decidido a fazer o que precisasse
matar, correr ou ajoelhar-se.
Ele não era tenente ou capitão,
mas o guri bateu continência
e esperou as palavras de dispensa
e disse sim senhor,
obrigado senhor.
Ele desejava muito a morte
de muitos deles,
deseja inclusive
ser o mensageiro
das más noticias para as famílias,
mas dessa vez ele apenas agiu como deveria.
Voltou pra casa,
ouvindo um homem gritar benzina,
desta vez ele sorria.
É assim que você refaz o seu destino.
pelo mesmo motivo,
mas dessa vez era hora de consertar
os corações partidos
e as orações perdidas.
A chuva tinha parado de cair
e dessa vez ele suava
e esperava
ouvindo músicas que gostava.
O rapaz de vermelho era na verdade,
um rapaz bem estranho,
mas confiava no rapaz,
que hoje não trajava preto nem branco.
Lhe tiraram a barba
e o cabelo
e outras coisas que amava,
mas o rapaz,
desta vez, tinha confiança.
Todos eram velhos
e vestiam azul,
o trabalho deles era esse
não podia se culpar,
amaldiçoar
ou praguejar.
Quando chegou a hora
o rapaz, que hoje vestia uma camisa que nem era dele,
respirou fundo
e negou todos seus sentimentos
por tudo
por mais que ele ainda sentisse o perfume dela
no ar.
Há quem diga que ele incorporou algo
depois de ter bebido a sua lata
de coca-cola.
Seu sangue gelou,
cinco graus ou menos
o suor dele não era mais quente
nem frio
ele apenas olhava o nada
e estava decidido a fazer o que precisasse
matar, correr ou ajoelhar-se.
Ele não era tenente ou capitão,
mas o guri bateu continência
e esperou as palavras de dispensa
e disse sim senhor,
obrigado senhor.
Ele desejava muito a morte
de muitos deles,
deseja inclusive
ser o mensageiro
das más noticias para as famílias,
mas dessa vez ele apenas agiu como deveria.
Voltou pra casa,
ouvindo um homem gritar benzina,
desta vez ele sorria.
É assim que você refaz o seu destino.
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