sexta-feira, 29 de abril de 2011

Memórias.

[...] Ele foi por uma rua
que não costumava andar,
mas, ele não sentia mais as
mesmas coisas de antes e
foi firme nas duas vezes
que lhe perguntaram
do relógio
- certo que ele
tinha muito azar com essas
coisas. -

Parou num lugar
que não gostava muito de ficar
e pegou o celular e
fingiu estar fazendo alguma coisa.

Sentaram-se de
frente pro mar,
mas, dessa parte
até queria, mas,
não vou falar.

Voltou pra casa
tomando um banho
de chuva fraca e
passou pela mesma pizzaria
que não tinha nome e
parou na frente da casa
do amigo que deveria estar indo
estudar, mas,
não ia mais.

A chuva caiu forte,
sem dó
dos garotos que
andavam sorrindo
pelo meio da rua.

O garoto deitou e
reclamou de uma dor
de cabeça bem forte,
mas, isso não foi
motivo pra deixar
de dirigir pela cidade.
Parou na casa
do amigo que ainda tinha de ir trabalhar
na manhã seguinte e
ficou por lá.

Seu telefone tocou e
ele ficou uma hora
ou mais dentro do
carro, ouvindo seus amigos
conversarem.

E o engraçado
é que o amigo
só notou a parte
que ele foi irônico,
mas, ele sorriu e
concordou.

depois disso
uns cigarros,
nada de mais e
ele fez os amigos darem
mais umas risadas,
pegou o carro
e foi pra outra cidade.

Fazia uns
dezesseis graus e
eles iam andando pelas ruas desertas
apenas pra sentir
a sensação de liberdade.

Pararam num mercado
vinte e quatro horas
compraram umas merdas e
saíram devendo ainda
uns trinta e sete centavos.

Na volta
ele criou coragem e
passou na antiga casa dele e
ficou uns cinco minutos e
meio
totalmente alto,
nostálgico, lembrando
do que tinha vivido
por aquelas ruas
íngremes,
enquanto seus dois
amigos brigavam
por lixos.

Na volta,
os amigos dele
mechendo com os travestis,
uns cem quilômetros por hora
e a ponte de madeira.

Chegou em casa e
estava muito cansado,
tomou uma gole d'água e
foi direto pro banho.

Demorou pelo menos uns
quinze minutos
e sentia prazer só
da água quente encostar nas
suas costas.

Estava exausto e
sentia dores em
todo lado esquerdo do
corpo, mas,
ainda parou pra
escrever uns versos
antes de dormir.

Ele escreveu algo como:

" - Esta parte,
toda esta parte da minha vida,
eu chamo de felicidade;
E eu já parei de contar
há muito tempo.
Quarenta e um mil quinhentos e vinte e oito vírgula quatro.
Boa noite e
sonhe comigo. " [...]

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Tainted dreams.

Os meus sonhos
que andaram me acalmando
hoje,
me preocupam.

Neles: O lago,
o escuro e
a solidão.

Ando dormindo com o
telefone abraçado e
fiquei assustado
quando ele tocou
numa madrugada
dessas.

Não ando ligando muito
pro que me falam e
não ando ligando
muito pra ninguém,
mas ontem, parei
o carro na frente de
um prédio qualquer e
troquei segredos como
se fossem figurinhas.

Todos andam dizendo o
quanto eu evoluí - fico
lisonjeado - mas
ainda não passa
felicidade pelo meu rosto.

É só um jogo
que eu joguei por muito tempo
mesmo sem saber
as regras e
agora que sei
chega a perder a graça.

Carrego comigo
as razões para tudo
e eu deveria me sentir bem
a cada cinco minutos,
mas, dependo de você.

Nada acontece
nos conformes desde
que eu bebi um gole
do seu veneno.

Mas eu
não espero que haja
um antídoto.

Me veja
mais uma dose.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Yuki, de Klonon.

Está chovendo lá fora e
a lua está escondida
entre as estrelas
com medo de encarar o
mundo que um dia foi
belo
e foi
num dia como estes
que eu saí
e nunca mais voltei.

Eu era só uma criança e
minha parede foi
banhada de
sangue,
a fúria e
a dor não
me deixaram pensar.

Sangue inocente
foi derramado
na lâmina da minha
arma, mas,
eu peço perdão
por todas as lágrimas
derramadas.

Sangue ruim
foi derramado
na lâmina da minha
arma, vejo
vocês no inferno.

Uma garota chorando e
uma atitude idiota,
contra minhas
próprias regras.

Caí nas loucuras
dos poetas e
eu nem sabia escrever.

Esqueci de toda a dor
quando ela me beijou
os dentes,
não pude evitar
de sorrir
entre tantas lágrimas
que eu já havia deixado cair
pelo caminho.

E agora
não sei o que fazer
o sangue que
mais procurava derramar
circula nas minhas veias
e circulará
nas veias do meu filho
que ainda não veio.

Deveria eu,
me vingar
de mim mesmo e
derramar o meu
próprio sangue
para pagar o
sangue de tantos
nas paredes,
todo aquele sangue
que foi derramado
movido pela loucura
da procura pelo poder?

Enquanto não acho
a solução
olharei
infinitamente para
estas paredes cinzas e
ouvirei a chuva cair e
procurarei a lua
que ainda não criou
coragem de aparecer
e no fundo
eu até gosto de dias assim.



Trecho d'um livro
que eu ainda não terminei.