sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

1, 2, 3, 4.

Felicidade intensa
paira sobre
um nevoeiro de
tristeza medonha
nos intervalos do café
e do cigarro.

Felicidades momentâneas
entristecem a minha
felicidade que
tanto fiquei triste para
conseguir.

Com ferro feri,
com ferro ferido.
Ferro de uma espada
cravejada com os mais
lindos diamantes
brilhantes de
todo o reino,
de todos os reinos.

E enquanto as águias
olham por mim, eu
de longe olho
novas águas.

Números nunca
demonstraram
tanto afeto.

Mas é como se eu
contasse até quatro
por necessidade.

Os livros,
as fotos, o vidro
de remédio, as garrafas e em-
balagens vazias
inundam o meu
habitat.

Eu diria tudo que aconteceu
de uma forma diferente.
Se fossem alguns
momentos atrás...

É quase algo intocável, é
quase um desejo
que não consigo controlar.

É quase um filme
que posso me identificar.

É um texto
que não posso explicar.

É como um suspiro
que eu suspiro aliviado
por poder respirar.

A sensação de um sonho
arruinado perto
de outro tão lindo.

O que pensar?

Eu não sei o que pensar, talvez
por isto não saiba
escrever.

Não tão bem.

Talvez não seja meu inconsciente
que redija agora, mas o que
eu digo é de um
coração valente, de
um coração carente.

O cheiro de cravo
aumenta a dor.

A dor causada por saber
que nunca
mais poderei sentir o teu
cheiro tão próximo.

E a tua falta ainda domina
meu mundo de tristezas, mas
eu prometi a mim mesmo
que não me deixaria
viver por este mundo.

Mas nunca enganei ninguém, eu
gosto de visitar este plano
turvo que não me domina mais.

Acostumei, passei a gostar
desta sensação, mas devo
admitir que prefiro
as coisas como vão.

Nunca havia me deixado sentir
tanto, explorar tanto
a vida.

Talvez nunca tenha
vivido tanto.

Diria que sou a pessoa mais
feliz.

A mais feliz, mas não
a com menos dores.

As feridas abrem e se
curam seguidamente,
mas é com sorriso
que tomo mais um
gole do meu café e
volto a ler.

Talvez tudo tenha sido
coincidência.

Mas certa vez ouvi
que qualquer coincidência
é ilusão do próprio destino.

Eu mal posso esperar
para começar.

Tudo isto
será realidade.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Vazio.

O homem de camisa
laranja, dançava
e gritava;
Um som estonteante,
agonizante, que
rasgava as quatro
molduras de seu
quadro preto.

Por que o que
tanto odiei agora é
tão agradável?

Parece uma história
que eu já li, uma
história que já ouvi.

O piano soa
devagar, como
uma melodia
que precede
sangue e enquanto
isso, troco
os lençóis
e entulho as bagunças
no armário.

A música soa
perfeitamente
linda para aqueles
que desejam
estuprar cordeiros
que passeiam.

Mas isso é uma
analogia egoísta.

A única pessoa
que talvez pudesse entender
agora jaz muito
longe.

E eu, persisto atônito
por ter confiado a segurança
dos meus punhos, braços e mãos
à uma pessoa
que fugiu sem
o menor sinal de
perseverança, resistência,
esbanjando sua
ignorância.

Parece que só
a minha dor era aceitável
sinto por ter de dizer.
Mas minha glória o assusta e
o deprime.

Que triste.

Era tão estranho quanto
agradável, era
neve no verão.

Não posso admitir, mas não
posso mentir.
Nunca deixei de não sentir
a sua falta.

Como uma criança iludida
no dia da véspera de
natal espero
milagres demais acontecerem.

Espero soluções
embrulhadas em cetim
vermelho, com um laço
amarelado ou 'azul-sem-fim';

Espero que caiam da chaminé
que ainda aguardo
que por um milagre
seja construída
bem no lugar da goteira que inunda
meu quarto.

A goteira gentilmente gasta
seu tempo gotejando, garbosa,
galante, enquanto gesticulo grandes
mentiras gradativas.

Ela goteja
e molha o esmalte
descascado que
ainda não tive coragem de jogar
no lixo.

Gosto,
eu gosto de lembrar.

A pergunta certa não
é 'quem?' e sim
'o que?'.

A música clériga
continua a soar
enquanto o sangue
continua a jorrar.

Enquanto subia
dezenas de degraus
se lembrava
do quanto era sorridente
ao som menos estridente
da voz do seu parente, oh céus!
Acho que sempre fui carente,
mas antes que tente:
Não me sinto diferente, não
me sinto um demente. Era feliz,
felizmente.

E a felicidade não
depende dessas coisas
que você diz que a felicidade
depende. E sem nem mesmo
notar, procurar ou folhear, pronto!
Você acaba ficando feliz
abruptamente.

Essa é só a visão de toda
essa gente.

Que se diz santa, mas engana.
Que se junta para proclamar hipocrisia.
Odeio gente que mente, mas infelizmente
por mais que tente não há o que eu invente
para parar este falso moralismo.

E por mais que eu pareça
inteligente, sou só um poeta
que pouco sente.

E o que me resta é um jogo
esdrúxulo de palavras.

No fim eu mesmo
não acredito em qualquer
realização e ainda faço
a questão de odiar.

No fim sou o pior
para falar, um
psicólogo com
problemas demais para
consultar.

Um poeta que gasta
tempo demais
tentando acreditar
que já achou o seu
grande amor.

Um escritor que
não gostaria de saber
o final da sua própria
história.

Sou a história.

Uma história feita de mentiras
que de tanto contadas
se tornaram a maior
realidade de
todas.

Mas
não se
incomode,
é uma história
que acabou de começar.

Uma história
cheia de verdades que
de tão pouco contadas
se tornará a maior
mentira de todas.

Sou apenas um pássaro azul, um
peixe dourado.
Sou uma pedra incompleta.

Sou apenas
alguém que ainda
não quer um título.

Sou apenas alguém
que ainda é inexperiente
demais para criar um título.

Por isso o batizo de vazio.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Digital love.

Eu não poderia,
por mais que possa
parecer
demagogia.

Eu posso até
não ser o cara certo.
Este pode não ser
o momento certo.

Mas ontem eu tive um sonho,
nós estávamos juntos
e não tinha nada além
disso. Eu pus minhas mãos
no seu rosto e
você sorriu.

Talvez eu sofra, talvez
eu ajoelhe.

Mas tudo que eu
desejo é vivenciar
este sonho
dezenas de vezes.

Talvez tudo acima disso
seja exagero.

Desculpe ser a pessoa a dizer,
mas há algo especial entre nós.
Há sentimentos que eu só
quero dividir com você.

Corrija a minha
ingenuidade
se ela estiver errada.

Mas só faz sentido com você.

Enquanto constroem
castelos de cartas
eu vou montando
pedra por pedra.

Não vou deixar
você esquecer, não
vou me deixar ceder,
não posso deixar o poeta
morrer.